O GP da Hungria teve de tudo. O Norris largou da pole e controlou a prova pra fazer a primeira vitória dele na temporada, e ainda repetiu o roteiro de 2025, quando também venceu aqui, agora são duas Hungrias seguidas dele. Atrás, a corrida virou de cabeça pra baixo, com abandono na liderança, safety car virtual, uma punição decidida por um décimo de km/h e uma recuperação e tanto do líder do campeonato. Peguei a telemetria e destrinchei o que aconteceu.

A grande história do dia foi o Antonelli. Ele largou em 7º depois da punição de sábado e foi subindo. Peguei a posição dele volta a volta pra mostrar a recuperação. As oscilações do gráfico são o ciclo de paradas, ele chegou a aparecer em 1º nos momentos em que os rivais ainda não tinham parado, e no fim firmou o pódio em 3º.

O ponto de virada foi o safety car virtual. O Piastri, que fazia uma boa corrida, teve um problema no carro e abandonou, e isso trouxe o VSC na volta 56, logo depois da última parada do Antonelli, na volta 53. Com a pista neutralizada, quase todo o pelotão aproveitou pra fazer uma parada barata e calçar macios pro fim. O Hamilton e o Leclerc pararam ali e mexeram na ordem, e o Verstappen, que já tinha parado antes, ficou fora e foi o mais beneficiado, garantindo o segundo lugar.

E aqui entra o outro lado da moeda. O VSC, que ajudou tanta gente, atrapalhou justamente o Antonelli. A parada dele tinha acabado de acontecer, na volta 53, então ele não pegou o alívio da parada barata. A Mercedes tinha esticado o stint dele pensando no fim da corrida, com a ideia de chegar com pneu mais novo e atacar o Verstappen pelo segundo lugar. Quando a neutralização caiu, essa vantagem estratégica praticamente evaporou, porque os rivais também pararam de graça. Não dá pra afirmar que ele terminaria em 2º, mas a própria equipe indicava pelo rádio que o P2 era possível antes do safety car. Ficou a sensação de que dava pra ser ainda maior.
E o grande nome do outro lado da estratégia foi o Verstappen, eleito o piloto do dia na votação dos fãs. Ele largou em 4º depois de um fim de semana difícil e terminou em 2º. No fim, segurou o Antonelli, que vinha com pneu mais novo, por 3,6 segundos, administrando um macio já usado de quase 30 voltas. Ainda teve tempo de passar o Hamilton na pista. Uma corrida de resultado, tirando o máximo do carro que ele tinha no dia.
O fim de corrida ainda teve um duelo de voltas rápidas. Puxei a melhor volta de cada um. O Leclerc soltou a mais rápida, 1:22,0 na volta 58, pra fechar o gap pro Hamilton, que tinha acabado de levar 5 segundos de punição. Na mesma volta, o Antonelli fazia 1:22,4 vindo em cima do Verstappen, que administrava o segundo lugar em 1:23,4 com o macio já usado.

Falando na punição do Hamilton, ela merece um parágrafo só. Segundo o documento 57 da FIA, ele passou a 80,1 km/h num pit lane limitado a 80. Um décimo de km/h acima. Rendeu 5 segundos, aplicados a quatro voltas do fim, e isso o jogou de 4º pra 5º, entregando o lugar pro Leclerc, que estava a menos de 5 segundos na pista. É a F1 no detalhe, um décimo custando uma posição.

No campeonato, o dia foi ótimo pro Antonelli. Mesmo sem o segundo lugar, o 3º ampliou a liderança dele pra 50 pontos sobre o Hamilton e 59 sobre o Russell. O Norris, com a vitória, saltou pro grupo de cima, e o Verstappen ultrapassou o Piastri.

Nos construtores, a Mercedes segue firme na frente com 379 pontos. A briga do meio se mexeu, com o Racing Bulls passando a Alpine pra quinto e a Audi passando a Williams pra oitavo.

Pra fechar, vale um paralelo com a temporada passada. Na pausa de verão de 2025, também depois da Hungria, o líder era o Piastri com 284 pontos, mas levava só 9 de vantagem pro Norris, e o Verstappen já aparecia a 97 em terceiro. Foi pras férias com uma margem curta, coisa de menos de uma vitória. Em 2026 o cenário do líder é bem mais folgado. O Antonelli vai pra pausa com 50 pontos sobre o Hamilton e 59 sobre o Russell, o equivalente a duas vitórias no sistema atual. Uma posição bem mais sólida do que a que o Piastri tinha no mesmo ponto do ano passado.